quinta-feira, 9 de junho de 2011

Tecnologia: Estudo aponta que rádios AM poderão migrar para faixa FM


Do portal Imirante/Abert
Objeto de discussão em congressos de rádio, a expansão da faixa FM pelos canais 5 e 6 de televisão, que visa expandir a o número de canais de rádio, demonstrou-se tecnicamente viável.
Pelo menos essa foi a conclusão do estudo “A extensão da faixa de FM (eFM) e a migração da faixa de OM: o quê fazer com os canais 5 e 6 da televisão na era digital”, produzido por engenheiros da Superintendência de Serviços de Comunicação de Massa da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
A pesquisa foi apresentada esta semana, em Brasília, para radiodifusores e representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).
O estudo propõe que as rádios AM migrem para um canal adjacente na faixa de FM. A justificativa são as crescentes dificuldades enfrentadas pelas emissoras que operam em onda média, como o aumento do ruído urbano.
“Muitos radiodifusores alegam que o rádio AM não terá excelente recepção como as FM quando o rádio for digitalizado”, explica o diretor de Tecnologia da Abert, Ronald Barbosa.
Além disso, a expansão no espectro FM seria um caminho para digitalizar o rádio. “Aqueles que queiram digitalizar seu sinal AM poderão fazê-lo a qualquer tempo”, explica Barbosa.
De acordo com a proposta, a migração das rádios AM para a faixa FM seria voluntária. “A ideia é utilizar os canais 5 e 6 de televisão que são adjacentes à faixa FM”, explicou Thiago Aguiar Soares, engenheiro da Anatel e um dos autores do estudo.
“Utilizamos os mesmos critérios técnicos usados para as faixas FM e conseguimos um plano viável, considerando distâncias mínimas”, explica.
O estudo considerou as rádios de Santa Catarina. Mas, de acordo com os engenheiros da Anatel, o projeto piloto pode ser implementado em todos os Estados brasileiros.
A extensão da faixa FM será possível com a desocupação de canais de TV. De acordo com o Decreto nº 5.820, até 2016 os canais com transmissão analógica serão desocupados com a transição do sinal analógico para o digital.
Segundo Soares, os canais 5 e 6 foram escolhidos por serem adjacentes às freqüências de FM e pertencerem à radiodifusão. Segundo o estudo, o espaço aberto nesses canais têm capacidade de criar 57 novos canais de 200 KHz. Isso não significa que os canais serão criados, apenas que é viável, enfatizou.
Proposta: A proposta de utilizar os canais 5 e 6 de TV para aumentar a disponibilidade de canais FM não é uma novidade. Alguns países como Estados Unidos e México já implementam projetos semelhantes. No México, 181 emissoras AM já migraram para faixas FM.
De acordo com Hilton Alexandre da Silva, presidente da Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado do Rio de Janeiro (Aerj), a proposta é uma solução para a digitalização do rádio.
Além disso, é uma alternativa para desafogar o espectro, que está congestionado nos grandes centros urbanos. A transmissão na faixa estendida deve ser toda digital, defende Silva.
“Precisamos garantir que o rádio AM chegue com qualidade aos ouvintes e a solução é a transição para o rádio digital”, diz. Ele afirma que, assim como ocorre na TV, as rádios devem funcionar simultaneamente nas duas freqüências durante o período de transição.
“As rádios AM prestam um serviço muito grande, é a voz da comunidade. O rádio digital só vai avançar quando avançar a questão do rádio AM”, diz Silva.
No total, 95% das emissoras de rádio AM têm potência de até 10 kHz. “São emissoras pequenas e locais que sofrem com problemas como as rádios piratas. Seria um sopro para o rádio”, acredita.

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